Locação por temporada em SC: o que o verão de 2026 mostra
28 de março de 2025 · 4 min de leitura
No verão de 2026, 40,2% dos turistas do litoral catarinense se hospedaram em imóvel alugado, o que superou a hotelaria (32,9%) e ficou 33,4% acima da média histórica da pesquisa. Em Balneário Camboriú, a fatia foi de 39,4%. Os números são da Fecomércio SC, que ouve turistas no litoral todos os verões desde 2013.
Para quem pensa em comprar um imóvel para locação, esse é o retrato mais recente e mais confiável do que o mercado de temporada pede. Abaixo, o que a pesquisa mostra, o que ela deixa de fora e o que isso muda na conta.
Onde o turista de verão se hospeda
Hospedagem | Verão 2026 |
|---|---|
Imóvel alugado | 40,2% |
Hotelaria | 32,9% |
Balneário Camboriú: imóvel alugado | 39,4% |
Florianópolis: imóvel alugado | 49,7% |
Fonte: Fecomércio SC, "Turismo de Verão no Litoral Catarinense 2026".
Outro dado pesa na rentabilidade: segundo a pesquisa, plataformas como Airbnb e Booking já respondiam por 50,6% das locações por temporada. Quem aluga por temporada passa, em boa parte, por essas plataformas, e as condições delas entram na conta da renda líquida.
De onde vem o público, e por que isso importa
Origem | Litoral de SC | Balneário Camboriú |
|---|---|---|
Brasileiros | 63,5% | 59,5% |
Estrangeiros | 36,5% | 40,5% |
Argentinos | 29% | 32,7% |
Entre os estados brasileiros, a pesquisa destaca, no litoral como um todo, o Rio Grande do Sul (18,4% do público), Santa Catarina (17,4%) e o Paraná (16,8%). Em Balneário Camboriú, lideram o Paraná (19,3%) e o Rio Grande do Sul (16%).
A fatia de estrangeiros mudou muito em poucos anos. Eram 17,3% em 2024, passaram a 35,2% em 2025 e chegaram a 36,5% em 2026. Os argentinos foram de 11,3% para 28,8% e 29%. Um imóvel de temporada em Balneário Camboriú depende, em boa parte, de um fluxo externo que varia de uma temporada para outra.
O turista gastou menos em 2026
O gasto médio por turista foi de R$ 8.224 na temporada de 2026, valor corrigido pelo IPCA. Foi uma queda de 16,4% sobre os R$ 9.833 de 2025, o maior valor da série, mas ainda o segundo maior em 13 anos. Só com hospedagem, o gasto médio foi de R$ 4.359, 9,5% menor que no ano anterior.
A própria pesquisa registra que, embora a presença internacional tenha batido recordes, o volume total de turistas ficou abaixo das expectativas iniciais da temporada.
Quem é esse turista
Famílias e casais somaram 85,2% do público (famílias 53%, casais 32,2%).
A idade média foi de 45 anos, e a faixa de 41 a 50 anos foi a maior (29,5%).
A classe média predominou: turistas com renda familiar de 2 a 8 salários mínimos foram 61,6% do total.
O que a pesquisa não diz: a baixa temporada
A pesquisa da Fecomércio SC mede o verão. Ela não traz a ocupação nem a renda de locação nos outros meses do ano, e não há, nas fontes públicas consultadas para este texto, uma série oficial de ocupação mensal de imóveis de temporada em Balneário Camboriú, Itapema ou Porto Belo. Os sindicatos de hotelaria divulgam a ocupação de feriados e da alta temporada, o que não substitui um dado do ano inteiro.
Isso muda a conta de quem compra para locar. Uma projeção de renda que parta só do verão tende a superestimar o resultado anual. Por isso, ao simular a locação de um imóvel, o mais prudente é trabalhar com mais de um cenário, incluindo um com baixa ocupação fora da temporada. O app de análise traz a projeção de locação (aluguel, taxa de administração, renda líquida e rendimento ao mês e ao ano), e os números dependem das premissas de cada cenário. Uma projeção não é garantia de resultado.
Antes de comprar para locação por temporada, confira
A convenção e o regimento do condomínio, para saber o que dizem sobre locação de curta duração.
A taxa de plataforma e de administração, que reduzem a renda líquida.
O cenário de baixa ocupação, e não só o de verão.
A dependência do público estrangeiro, que oscila de uma temporada para outra.
Fonte
Fecomércio SC — Turismo de Verão no Litoral Catarinense 2026 (Núcleo de Inteligência Estratégica).
Dados da temporada de verão de 2026. Informação geral, que não é promessa de rentabilidade.
Alexandre Rorato — economista e consultor de investimentos imobiliários · CRECI 52923 · CNAI 4241
O próximo passo
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